Nos últimos anos, algo curioso começou a acontecer: marcas que sempre disputaram nossa atenção agora estão sugerindo que a gente desligue a tela.
O paradoxo da atenção: quanto mais as marcas pedem o seu olhar, menos você dá
Empreendedores já entenderam que atenção é o recurso mais disputado da economia atual. Mas poucas marcas ousaram tocar num ponto sensível: a atenção está esgotada.
Notificação demais, estímulo demais, conteúdo demais.
Não é surpresa que a Heineken tenha lançado campanhas sobre o detox digital em ambientes sociais, incentivando as pessoas a se reconectarem “de verdade”.
E que a Apple promova recursos como Tempo de Uso para limitar notificações e equilibrar hábitos — algo que reduziria, teoricamente, o próprio engajamento nas suas plataformas.
Essas iniciativas não são altruísmo. São estratégia.
Elas refletem um diagnóstico claro: quanto mais saturado está o consumidor, menos ele deseja — e menos ele confia.
E aqui surge a primeira grande virada:
| Quem protege a atenção do cliente ganha seu respeito — e, paradoxalmente, mais atenção de qualidade.
Não é invalidar a tecnologia. É criar experiência humana e real.
Desconectar virou branding
A Apple percebeu isso cedo.
Quando ela fala de “Screen Time”, de privacidade e de foco, ela não está só vendendo recursos do iPhone — está vendendo uma filosofia de uso saudável.
Isso gera um efeito poderoso:
| Quando uma marca demonstra responsabilidade sobre o impacto que causa, ela sobe de nível no imaginário do consumidor.
Esse é o novo premium: empresas que querem que você viva melhor, não apenas que consuma mais.
Para pequenos empreendedores e criadores digitais, existe uma lição valiosa aqui:
Não vença pelo excesso. Vença pela relevância.
A marca do futuro não é a que aparece mais.
É a que aparece com profundidade.
Por que isso importa para quem empreende
Porque o comportamento do consumidor está mudando — e rápido.
As pessoas querem:
- marcas com propósito e verdade, não performado;
- conteúdo que respeita seu tempo;
- produtos que melhoram a vida, não apenas preenchem lacunas emocionais momentâneas.
A tendência de “menos tela, mais vida” é, na verdade, uma resposta coletiva ao cansaço digital.
E onde existe cansaço, existe oportunidade de inovação.
Pequenas marcas podem surfar essa onda criando:
- experiências offline complementares;
- produtos que estimulam presença;
- conteúdos mais profundos e menos frequentes;
- comunicação que reduz ansiedade ao invés de aumentar.
Humanizar é, no fim, um posicionamento estratégico — não só moral.
Se o futuro é híbrido, não é porque tecnologia vence ou humanos vencem.
É porque estamos finalmente entendendo que não existe negócio sustentável sem pessoas sustentáveis.
E quanto mais marcas encorajam pausas, respiros e encontros verdadeiros, mais elas se tornam parte essencial da vida — não uma interrupção dela.
Esse é o tipo de transformação que não só muda produtos, mas muda culturas.
E talvez seja aí que mora o verdadeiro impacto.
—
Mari – da NTW Marília
Coluna “Ideias que Transformam Negócios”


