Se o seu planejamento estratégico não vira resultado, o problema raramente está no método. Está na execução.
E existe um padrão bem comum: o gargalo aparece exatamente no ponto que deveria transformar meta em prática — os planos de ação (ou, em OKRs, as iniciativas/atividades-chave) + datas.
Quando há muitas iniciativas e várias etapas, acontece o óbvio: você tenta executar tudo ao mesmo tempo… e deixa de executar o que realmente te aproxima das metas.
A seguir, um processo didático, passo a passo, para destravar isso.
Por que o planejamento vira burocracia
Na teoria, o planejamento define “onde queremos chegar”.
Na prática, o que define “se vamos chegar” é:
- o que será feito
- em qual ordem
- até quando
- com qual capacidade real de execução
Sem esse encaixe, você tem um planejamento bem escrito e uma agenda lotada — mas sem resultado proporcional.
Onde a execução geralmente quebra
O problema não é ter um plano. O problema é ter:
- muitos planos de ação ou iniciativas ao mesmo tempo
- muitas etapas rodando em paralelo
- datas definidas sem compatibilizar prioridade e capacidade
Resultado: o time (ou você) vira “apagador de incêndios”, e a execução estratégica fica sempre para depois.
A lógica que muda o jogo: pare de gerenciar tarefas e passe a gerenciar problemas
Aqui está a virada: em vez de começar pela lista de ações, você começa pelos problemas que travam as metas.
Porque ações podem ser “bonitas” e não resolver nada.
Já problemas bem priorizados puxam ações com sentido e foco.
5 passos para destravar na prática (bem didático)
1) Mapeie os 10 principais problemas que travam suas metas
Pegue papel (ou uma planilha) e escreva:
“Quais são os 10 maiores problemas que hoje mais impedem eu (ou meu setor) de bater as metas?”
Regras simples:
- escreva problemas, não tarefas
- seja objetivo (1 linha por problema)
- não tente resolver agora — só mapeie
Dica prática: se você tiver um time, faça esse passo com eles. A percepção de gargalos costuma melhorar muito.
2) Defina a ordem de impacto: priorize de 1 a 10
Agora vem a parte que exige maturidade: você vai escolher a ordem.
Numere de 1 a 10, sendo:
- 1 = o problema que, se resolvido, mais acelera o atingimento da meta
- 10 = o que tem menor impacto comparado aos anteriores
Por que isso funciona?
Porque execução precisa de foco. E foco nasce de prioridade real, não de urgência emocional.
3) Comece pelo problema nº 1 e conecte o que vira execução
Agora, para o problema nº 1, você vai ligar o problema às ações certas:
- Se você trabalha com planejamento tradicional: liste os planos de ação ligados a ele.
- Se você usa OKRs: liste as iniciativas ou atividades-chave que movem esse problema.
Objetivo simples:
Cada ação precisa ter um “porquê” claro: resolver o problema nº 1.
Se a ação não tem relação direta com o problema nº 1, ela não entra nesse bloco.
4) Faça a pergunta que corta burocracia
A pergunta que muda o padrão de execução é:
“Se executarmos isso, o problema nº 1 será resolvido?”
Use como um teste de realidade:
- Se a resposta for não: ajuste, reformule ou substitua as ações.
- Se a resposta for sim: avance para o problema nº 2 e repita o processo.
Essa etapa impede que você encha o planejamento com ações que ocupam tempo, mas não entregam resultado.
5) Ajuste prazos e cadência para garantir foco (o passo mais ignorado)
5.1 Reorganize as datas pela prioridade dos problemas
A regra é:
- primeiro, as datas das ações que resolvem o problema nº 1
- depois, as ações do problema nº 2
- e assim por diante… até o problema nº 10
Isso muda tudo, porque coloca seu tempo (e o tempo do time) na direção do que mais impacta as metas.
5.2 Crie a cadência: avaliação mensal no início do mês
No início de cada mês, faça uma avaliação mensal com este roteiro:
- Quais ações tinham datas vencidas no mês anterior?
- O que foi entregue? O que não foi?
- O problema nº 1 foi reduzido ou continua igual?
- O que precisa de ajuste de rota para o próximo mês?
Essa revisão mensal impede o ciclo de “planeja → esquece → corre no fim”.
Como aplicar isso se você usa OKRs
OKRs normalmente não pedem um plano de ação formal, mas exigem execução via iniciativas ou atividades-chave.
A tradução é direta:
- Problemas priorizados (1 a 10) = filtro de foco
- Iniciativas/atividades-chave = execução que move resultado
- Datas + revisão mensal = o que impede o OKR de virar só um quadro bonito
Muda o nome, mas a disciplina é a mesma.
Checklist rápido para aplicar hoje
- Liste seus 10 problemas que travam metas
- Priorize de 1 a 10
- Conecte ações ao problema nº 1
- Responda: “isso resolve mesmo?”
- Ajuste datas pelo impacto
- Agende a avaliação mensal no início do mês
Conclusão e próximos passos
Quando você aplica esse processo, o planejamento deixa de ser burocracia e passa a gerar execução com foco.
Não é sobre metodologia perfeita. É sobre disciplina para:
- priorizar problemas
- escolher ações que resolvem
- organizar datas por impacto
- revisar mensalmente e ajustar rota
E fica a provocação final:
se você ainda nem fez o planejamento… só a sorte pode te ajudar a performar.
Autor: Walter Teixeira

