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Deixa eu começar com uma pergunta simples, dessas que parecem óbvias, mas quase nunca são: você ainda pensa o seu negócio como algo “da sua cidade”?

Porque, se pensa, talvez esteja operando com uma lógica que o mercado já abandonou.

Durante muito tempo, o jogo era local. Seu concorrente estava na mesma avenida, seu público morava a alguns quilômetros, seu crescimento dependia do tamanho da praça. Era uma conta quase que matemática: cidade pequena, mercado pequeno. Cidade grande, mercado maior.

Só que essa lógica não se sustenta mais.

Hoje, uma empresa no interior pode vender para o Brasil inteiro. Pode atender clientes em outros estados, em outros países. Pode comprar melhor, negociar melhor, posicionar melhor. A geografia deixou de ser uma barreira concreta e virou, na maior parte dos casos, uma barreira mental.

 

E é aqui que mora o problema.

Muitos empresários (especialmente em cidades menores) continuam tomando decisões como se o mercado ainda fosse limitado pelo CEP.
Pensam: “aqui não tem demanda”, “aqui o público não paga”, “aqui é diferente”. Mas o consumidor já não está mais restrito ao “aqui”. Ele compara online, compra online, pesquisa online. Ele não enxerga fronteiras como antes.

Enquanto alguns ainda defendem território, outros estão atravessando essas fronteiras com facilidade.

Empresas de fora vendendo para os seus clientes. Serviços digitais ocupando espaço que antes era exclusivamente local. Marcas nacionais e até internacionais, disputando a atenção do mesmo público que entra na sua loja ou conversa com o seu vendedor.

A concorrência não pede mais licença. Ela simplesmente aparece na tela do celular do seu cliente.

E isso muda tudo.

Porque se o mercado não é mais limitado geograficamente, a sua lucratividade também não precisa ser. 

O acesso a fornecedores, tecnologia, informação e novos modelos de negócio nunca foi tão amplo. O pequeno empresário hoje tem ferramentas que, há vinte anos, eram exclusivas de grandes corporações.

A diferença não está mais no tamanho da empresa. Está na mentalidade de quem a conduz.

Há empresários que continuam gerindo como se o objetivo fosse apenas manter o que já conquistaram. Defender espaço. Garantir o movimento da semana. Fechar o mês no azul. E isso, claro, é importante. Mas é insuficiente.

Outros começam a fazer perguntas diferentes:

“Como eu posso vender para além da minha cidade?”

“Como posso usar o digital para ampliar minha presença?”

“Como posso transformar meu conhecimento em escala?”

“Como posso tornar meu negócio menos dependente do fluxo físico e mais estratégico?”

 

Percebe a mudança?

Não se trata de virar uma startup ou abrir filial em outro estado amanhã. Trata-se de entender que o limite não é mais físico. É estrutural e, muitas vezes, mental.

O mundo está mais conectado, mais competitivo e mais aberto ao mesmo tempo. Isso assusta quem quer estabilidade absoluta. Mas é uma enorme oportunidade para quem aceita evoluir.

A pergunta que realmente importa não é se a sua cidade é pequena.

É se a sua visão ainda é.

Porque, gostando ou não, o seu concorrente pode não estar na sua rua. Pode estar em outra cidade, outro estado, outro país e ainda assim, disputar o mesmo cliente que você.

O mercado já é global.

A questão é: o seu pensamento também é?

Mari – da NTW Marília

Coluna “Ideias que Transformam Negócios”

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