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Para muita gente, ESG é apenas uma certificação para ostentar ou assunto de ambientalista. Para um escritório de contabilidade, no entanto, pode ser uma das ferramentas de gestão mais práticas que existem.

Quando falo de ESG com empresários contábeis, costumo ouvir uma de duas reações. “Isso é coisa de empresa grande.” Ou: “Meu escritório não polui, então não tem nada a ver comigo.”

As duas percepções partem do mesmo equívoco.

ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, ou seja, Ambiental, Social e Governança. Na prática, é o jeito como a empresa cuida dos recursos, das pessoas e da própria administração: como decide, como se organiza, como se protege e como presta contas.

Dito assim, não parece modismo, parece gestão. E é isso mesmo.

O principal ativo do escritório sai pela porta às 18h

Uma indústria vive de máquinas, estoque e matéria-prima. O escritório contábil vive de conhecimento, informação e confiança. O nosso capital é intelectual.

Isso muda o tipo de risco que corremos. O risco do escritório não está na chaminé ou no resíduo. Está em perder uma pessoa-chave, em deixar o conhecimento na cabeça de poucos, em vazar dado de cliente, em depender apenas de uma única pessoa, o dono, para para funcionar e crescer.

Se o principal ativo vai embora todo dia às 18h, alguém precisa garantir que uma parte dele fique. Processos documentados, equipe desenvolvida, regras claras. É isso que o ESG organiza, principalmente na letra G.

Governança: onde o retorno aparece primeiro

Governança é o conjunto de práticas que faz o escritório funcionar com método, e não com improviso. Cada uma entrega um ganho prático:

Prática de governança O que o escritório ganha
Planejamento estratégico e indicadores Decisões com base em dados e crescimento planejado, e não por sorte
Processos documentados Padrão de qualidade, menos retrabalho e novos colaboradores produtivos mais rápido
Gestão de riscos, segurança da informação e proteção de dados Proteção do escritório e dos clientes, num negócio que guarda dados sensíveis e que precisa seguir a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados)
Regras claras entre sócios e plano de sucessão Continuidade do negócio e um escritório que não depende de uma pessoa só
Transparência com o cliente Mais confiança e relacionamentos mais duradouros

Uma pergunta de autodiagnóstico: se você ficasse trinta dias fora, o escritório continuaria entregando, decidindo e crescendo?

Se a resposta for não, o problema não é de modismo. É de risco. E a governança é uma forma de tratá-lo.

Estar sozinho aumenta o risco do negócio. Escritório que depende de uma pessoa só está sozinho, mesmo com muita gente na equipe.

Um escritório que funciona com método tende a valer mais para quem quer crescer, trazer sócios ou, um dia, passar o negócio adiante.

Ambiental e Social também dão retorno

O impacto ambiental de um escritório é discreto, mas existe, e costuma aparecer como economia: digitalizar processos, usar menos papel, gastar menos energia, descartar equipamentos do jeito certo. O primeiro passo é medir. Sem saber quanto se gasta, não dá para reduzir. Menos desperdício, menos custo.

No Social, o ganho vem das pessoas. Num negócio em que o conhecimento está nelas, valorizar e desenvolver a equipe, manter um ambiente saudável e formar jovens talentos não é favor. É proteger o principal ativo, num mercado em que bons profissionais são disputados.

Ações na comunidade e educação empreendedora ajudam, além disso, a fortalecer a imagem do escritório entre clientes e na região onde ele atua.

Posicionamento e acesso a mercados

Cada vez mais empresas olham com atenção para quem as atende, e não só para o preço. Compradores com cadeia de fornecedores estruturada tendem a valorizar quem consegue comprovar boas práticas de gestão, de segurança da informação e de relação com as pessoas.

Isso não garante contrato. Mas quem tem prática comprovada entra na conversa mais preparado e cria uma relação mais estreita com que valoriza este tipo de certificação. A título de exemplo, a ISO 9001 (gestão da qualidade) e a Great Place to Work, a GPTW (ambiente de trabalho), entre outras. As práticas de ESG vão na mesma linha.

O selo é consequência. A prática vem antes.

A própria Federação Internacional de Contadores (IFAC) lançou, em junho de 2025, uma lista de verificação online que pontua iniciativas de sustentabilidade nas dimensões ambiental, social e de governança. E a página da ferramenta sugere que o profissional a aplique primeiro na própria prática. É um bom ponto de partida para fazer o diagnóstico do escritório.

Por onde começar

Não precisa de estrutura complexa nem de certificação. Comece olhando para dentro:

  • Levante o que o escritório já faz. Quase sempre é mais do que se imagina.
  • Avalie o que precisa melhorar e escolha poucas prioridades.
  • Defina responsáveis por cada ação e prazos para diagnóstico, planejamento e execução.
  • Registre evidências simples das práticas e ações adotadas e acompanhe os resultados.

Ações isoladas não são uma estratégia. O que transforma boas iniciativas em gestão é a continuidade, com objetivo, responsável e acompanhamento. E uma ação social pontual, por mais meritória que seja, não substitui a governança.

No começo, eu disse que muita gente trata ESG como uma certificação para ostentar. Os escritórios que vão tirar proveito são os que tratam como um jeito de administrar o negócio.

O seu escritório está preparado para continuar crescendo sem depender só de você?

ESG começa com um selo, começa na prática.

Se você é dono de escritório e quer conversar sobre como começar, me procure.

Walter Teixeira

Cofundador NTW Franquia Contábil e Tutoreanos Consultores de Negócios

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